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terça-feira, 1 de março de 2011

Análise: Cultura Política

O que é Cultura Política? Não há como definir uma expressão, que segundo dezenas de autores, é extremamente subjetiva. Talvez se refira ao conjunto de atitudes, crenças e sentimentos que dão origem e significado a um processo político, evidenciando as regras e pressupostos nos quais se baseia o comportamento daqueles que os pratica. Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, cultura analisada etimologicamente, significa aplicação do espírito a determinado estudo ou trabalho intelectual; instrução, saber, apuro, perfeição e cuidado. Assim como cultura, o termo política foi analisado etimologicamente e apresenta a seguinte definição: ciência do governo das nações; arte de regular as relações do Estado com outros Estados. Sistema particular de governo. Modo de haver-se, em assuntos particulares, a fim de obter o que se deseja. Esperteza, finura, maquiavelismo. Portanto, todas as definições de cultura política serão subjetivas o bastante.
Ela faz parte de um contexto social, formado pelas diversas fragmentações de cada sujeito. Portanto, o coletivo não é definitivo. O contexto histórico acaba por assim dizer, determinando as culturas políticas de cada nação. Dentro deste país em que vivemos que é o Brasil, há diversas ‘culturas políticas’. Assim, a diferenciação das culturas políticas se dá a partir da motivação e realização de seus ideais, já que não possui apenas uma origem, requintada pelos povos Gregos. Assim como sua origem, todas as formas de culturas políticas têm um produto em comum que é o poder. A representatividade do poder é um dos diversos produtos das diversas culturas políticas.
No Brasil, a cultura política brasileira tem uma identidade bastante característica. Foi herdada dos portugueses e resignificada ao longo dos anos pelo povo brasileiro. Foi pouco fragmentada e é mantida até hoje com o mesmo espírito. Portanto, a política é sempre transitória. Não há espaço para muitos e há muitos para pouco espaço. O que move toda essa disseminação da política é o homem, dinâmico em sua própria natureza. A cultura política do brasileiro absorve muito da cultura histórica e cultural desse povo, forjando assim  nossa própria identidade político-cultural.
Por Ana Paula Jardim

Raça e História: Uma análise

O "pecado original da antropologia", para o autor, consiste na confusão entre noção puramente biológica e produções sociológicas e psicológicas das culturas humanas. Existem muito mais culturas humanas do que raças humanas. Observamos que este conceito de raça e cultura se difunde de tal forma a gerar preconceito unânime que define raça por características biológicas e psicológicas, enquanto temos ciência da existência de apenas uma raça que rege nosso espírito. Seria vão conseguir que o homem da rua renunciasse a atribuir um significado intelectual ou moral ao fato de ter a pele negra ou branca, o cabelo liso ou crespo, para permanecer em silêncio em face de outra questão, à qual a experiência prova que este se agarra imediatamente. O que se tem é a desigualdade e diversidade das culturas humanas.A diversidade adverte o autor, não deve ser "uma observação fragmentadora ou fragmentada": ela existe em função das relações que une os grupos, muito mais do que o isolamento destes.Não é possível por de lado, simplesmente, a diversidade que existe de fato porque não e possível admitir o homem realizando sua natureza numa humanidade abstrata. Ao contrario, o homem se realiza em culturas tradicionais e as modificações se explicam em função de situações definidas no tempo e espaço.
O autor traça uma diferença entre evolucionismo biológico do "pseudo evolucionismo", advertindo que quando se "passa de fatos biológicos para fatos culturais as coisas mudam". O evolucionismo biológico está provavelmente carreto para raças e animais, diz o autor, mas não tem a mesma relação na evolução social e cultural. Pois, argumenta Lévi-Strauss, como vamos desenterrar crenças, gostos de um passado desconhecido ou como vamos considerar que um machado dá origem física a outro machado? Devemos admitir uma concepção que distingue duas espécies de história para interpretar a diversidade: uma história progressiva, aquisitiva (aonde as descobertas e invenções são acumuladas para construir uma grande civilização) e outra história sem este dom sintético (ainda que ativa e talentosa).
A hipótese de uma evolução para hierarquizar culturas contemporâneas em inúmeros casos foi desmentida pelos fatos quando se pretendia estabelecer analogias.Do mesmo modo, os fatos demonstram que não se podem traçar esquemas para sociedades que nos precederam no tempo:"o desenvolvimento dos conhecimentos pré-históricos e arqueológicos tende a desdobrar no espaço formas de civilização que estávamos levados aimaginar como escalonadas no tempo", diz Lévi-Strauss para acrescentar em seguida que o progresso se da aos saltos, não linearmente, tendo sempre vários caminhos que pode percorrer.A História pode ser cumulativa, em alguns casos, o que "não é privilégio de uma civilização ou de um período histórico", diz o autor, exemplificando com a América, onde se desenvolveram culturas com História acumulativa.
O principal absurdo de considerarmos uma cultura superior a outra, diz Lévi-Strauss, consiste no fato de que a medida em que uma cultura esta sozinha ela elabora muito pouco de História acumulativa: "nenhuma cultura esta só; ela é sempre capaz de coligações com outras culturas, e é isso que lhe permite edificar séries cumulativas. A possibilidade que tem uma cultura de totalizar este conjunto complexo de invenções de todas as ordens que chamamos civilização e função do número e da diversidade das culturas com que ela participa na elaboração – na maioria das vezes involuntária – de uma estratégia comum."Não se pode portanto fazer uma lista das invenções particulares diz Lévi-Strauss, porque a verdadeira contribuição das culturas esta no afastamento diferencial que elas apresentam entre si; civilização implica coexistência de culturas que ofereçam entre si o máximo de diversidade, e consiste mesmo nessa própria coexistência."

LÉVI-STRAUSS, Claude. Raça e História. França: Unesco, 1952.

Por Ana Paula Jardim